30 de dez de 2012

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada


Quase 10 anos após o estrondoso sucesso do recordista em prêmios da Academia hollywoodiana de cinema, “O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei”, “O Hobbit” é o primeiro filme da trilogia que leva às telonas a obra literária de J.R.R. Tolkien que precede o consagrado O Senhor dos Anéis.

Após as especulações de que Guillermo Del Toro dirigiria o filme, o comando ficou mais uma vez por conta de Peter Jackson, que inovou gravando o filme em 48 frames por segundo e enfrentou batalha judicial iniciada em 2008 que quase cancelou a produção quando os herdeiros de Tolkien, falecido em 1973, ameaçaram impedir a liberação dos direitos autorais enquanto não recebessem o valor de US$ 220 milhões referentes aos filmes já realizados e não pagos pela New Line. Guillermo desistiu da direção devido aos constantes problemas financeiros da produtora e decidiu ficar apenas com o roteiro. Os problemas não pararam por aí e Jackson presenciou ainda uma revolta pela equipe técnica que reclamava da má remuneração, ou até mesmo falta dela, anúncios que soaram preconceituosos, ao buscar “atores com tom de pelo claro”, acabaram por barrar uma atriz de origem paquistanesa e demitir um membro do staff de direção. Para completar a turbulência, as gravações foram novamente atrasadas no início de 2011 quando Jackson foi internado às pressas com uma úlcera.

Passada a má fase, as filmagens começaram em de 20 de março de 2011 e duraram 14 meses, e eis que temos uma boa notícia aos fãs: estamos livres de imprevistos como esses que acontecerem há pouco, já que todos os filmes da trilogia foram rodados nesse intervalo de tempo! Inicialmente, o livro produziria apenas dois filmes. Entretanto, após o término das filmagens, o diretor Peter Jackson e a Warner Bros concordaram em redividir o material rodado em três produções. “O Hobbit: A Desolação de Smaug” será lançado em 2013 e “O Hobbit – Lá e de Volta Outra Vez” chegará aos cinemas em 2014.

A estreia mundial do longa de quase 3 horas de duração ocorreu no último dia 14 e tem levado uma legião de  fãs, sejam eles da obra de Tolkien, de Peter Jackson, da sétima arte... Para enfrentar salas lotadas e viajar mais uma vez à Terra Média.

Já devo ter falado em algum texto aqui que não sou muito fã de sair de casa para ver uma estreia muito aguardada e, apesar de até ter passado por minha cabeça a vontade de ir à estreia d’O Hobbit, aguardei por dois dias... O que não foi suficiente para cessar salas lotadas e pessoas assistindo devido “ao fluxo”, e denominando o filme de “O Órbit”. Vencidos os obstáculos das conversas, telefones, sacos de pipocas e até mesmo o cansaço deixado pelas primeiras cenas, estive diante de um dos mais bonitos filmes do ano.

O filme, com início cansativo, começa abordando o contexto em que se passará a história que leva à já conhecida aventura deslumbrada pelos fãs de Tolkien. Aos poucos, a lentidão do enredo dá lugar à velocidade das cenas de batalhas em momentos que nada deixam a desejar, comparando-se a’O Senhor dos Anéis. Acompanhamos Bilbo Bolseiro no começo de sua jornada ao lado de anões e elfos numa aventura envolvente.  A maneira contínua da narrativa dá a certeza de que a direção do filme não poderia estar noutras mãos.  A melhor atuação é de Andy Serkis, que interpreta Gollum, responsável por algumas das melhores cenas do filme. Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Direção e Melhor Filme são as principais apostas do longa para intimidar os concorrentes ao Oscar.

O Hobbit é um filme realmente projeto para ser visto nas telonas, em 3D, e com o deslumbramento digno para um diretor como Peter Jackson. Cada lugar (vide Valfenda) e cada movimento (vide as lutas) minunciosamente detalhados fascinam, o que não exclui a grandiosidade do enredo, apesar da fragmentação diante da obra literária. As quase três horas de duração e o começo lento podem tender ao receio em ir ao cinema assisti-lo, mas o desdobramento da narrativa e a beleza do filme deixam nos fãs da fantasia aquele gostinho de ficar sentado aguardando as próximas partes... E você até que fica, reluta a sair, mas encerrados os créditos finais e caindo a ficha que terá de esperar um ano, o jeito é voltar pra casa e rever a trilogia O Senhor dos Anéis.

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